» Craques da Portuguesa - Miguel

Em 1969, Miguel trabalhava numa indústria de papelão que fabricava caixas para embalar produtos de barbearia e cabeleireira. Nos fins-de-semana jogava no gol do Búfalo, uma equipe do bairro da Vila Prudente, em São Paulo. Certo dia o ponta-direita Antoninho Minhoca, que atuava no Juventus, pediu para o técnico Pinga ver o garoto jogar. Após uma partida Miguel foi convidado a treinar no Juventus.

 

"Para atender ao convite tinha de faltar no serviço duas vezes por semana. O dono da empresa não deixou. "Mas o meu pai, Miguel Lopes Ruiz apostou em mim. Disse que tinha seis meses para mostrar que poderia me tornar profissional. Em pouco tempo estava jogando nos juniores e logo no time titular do Juventus", comentou Miguel.

 

O primeiro jogo como profissional foi contra o Guarani. "O Doná era o titular, mas o técnico Nogueira apostou em mim depois de uma goleada de 5 a 2 que o Paulista deu no Juventus", recordou.

 

Miguel teve dois instantes delicados em sua carreira. "Numa partida contra o São Paulo, o atacante Téia cabeceou para o chão e eu fiz uma defesa sensacional. Quando caí fiquei segurando a bola na direção do meu rosto. O Toninho Guerreiro veio na corrida e chutou a bola, que estava entre as minhas mãos, que bateu violentamente no meu rosto. Tive de sair de campo com enorme corte na pálpebra", explicou o ex-goleiro.

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O outro momento difícil foi durante o jogo Juventus e Ferroviária, de Araraquara, lembra Miguel. "O jogador Zé Luís driblou os nossos zagueiros Carlos e o Oscar. Na seqüência a bola espirrou e ganhou altura. Eu saltei para a defesa. Enquanto eu caía com a bola o lateral Celso subia para a jogada. Não deu outra. Bati com a testa no joelho dele. Tive fratura do frontal (testa) e duas paradas cardíacas. Só consegui ser reanimado depois de muita massagem no peito e injeção de coramina."

 

Depois de três meses Miguel estava de volta defendendo o Juventus. "No começo era engraçado porque quando corria parecia que a testa se mexia. Na cirurgia colocaram algumas presilhas para fixar o osso da testa", conta.

 

Miguel era o goleiro do Juventus quando o Moleque Travesso derrotou o Corinthians por 1 a 0, em 1971, no Pacaembu, protagonizando a maior zebra da Loteria Esportiva. Com esse resultado o apostador Eduardo Varela ganhou uma verdadeira fortuna. "O Varela ganhou uma nota preta e eu todos os prêmios de melhor em campo. No único gol do jogo o Toninho Minhoca driblou o Zé Maria e o Ado antes de marcar", recordou o lance.

 

Miguel lembra da conquista do título de campeão paulista em 1973. "Eu não sei como o Armando Marques errou a contagem dos pênaltis. Nós estávamos perdendo por 2 a 1. Quando o Santos converteu a terceira cobrança, os jogadores reservas invadiram o campo para comemorar.

 

Os repórteres foram atrás. O técnico Oto Glória levou rapidamente todos os jogadores da Portuguesa para o vestiário e não deixou ninguém se trocar. Saímos logo do Morumbi para o Canindé. Ele sabia que ia dar confusão.

 

No trajeto até o Canindé ficamos acompanhando o desfecho dessa enroscada. O presidente da Federação, João Mendonça Falcão; da Portuguesa, Oswaldo Teixeira Duarte e do Santos, Rubens Quintas se reuniram e decidiram dividir o título porque não havia mais datas para outra partida", explicou o goleiro.

 

Miguel dribla a calvície

 

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Calvície é um tema que, agora, constrange o goleiro Miguel. Ainda moço o ex-goleiro começou a perder os cabelos. Ele era obrigado a conviver com muitas brincadeiras. Até que em 1974 aproveitou o fato de ser careca para ter uma outra fonte de renda. Miguel conta como ganhou mais cabelo.

 

"Uma empresa alemã que fazia entrelaçamento de cabelos, ou seja, que prendia novos fios de cabelos, nos já existentes na cabeça da pessoa que estava ficando calvo, me procurou propondo o produto em troca de um cachê mensal e manutenção permanente do que seria feito. A empresa foi atrás do Fedato, no Palmeiras, mas o técnico Brandão não deixou. Procuraram o Lance, no Corinthians, mas a família deu o contra. Quando me procuraram conversei com o técnico Oto Glória. Ele me deixou à vontade. Assinei um contrato vitalício para manutenção do entrelaçamento e recebia na época o que equivale hoje mais ou menos a R$ 3 mil, por mês."

 

Há cinco anos Miguel viveu, talvez, o pior pedaço de sua vida. Constantemente, após o expediente, deixava a concessionária de veículos em que trabalha e se dirigia a um bar no bairro de Santana. Mas um dia se deu mal.

 

"Quando cheguei no bar estava tudo revirado e lá se encontravam alguns investigadores. O Natal, proprietário do bar, tinha sido preso por porte de droga. Quando cheguei os investigadores começaram a me interrogar e me levaram para o DENARC (Departamento de Narcóticos). Eu estava sendo acusado, pelo Natal, de vender droga. Por mais que eu dissesse que não mexia com aquilo, não adiantou. Fui preso. Puxei dois meses de cadeia no 29º Distrito Policial. Depois de muito trabalho e muita investigação fui inocentado. Posteriormente o Natal falou que só tinha me acusado porque eu era conhecido e não seria preso. Nossa, foi um sufoco, mas tudo isso faz parte do passado", contou.

 

Dívida de Gratidão

 

Aos ex-jogadores Toninho Minhoca, que atuou no Juventus e Vasco da Gama, e o ex-ponta esquerda José Robles (Pinga), pai do Ziza. Os dois o levaram para jogar no Juventus. Toninho era jogador e Pinga o treinador.

 

Fonte: Site Extra Oficial e Gazeta Esportiva

 

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