» Craques da Portuguesa - Enéas

Enéas de Camargo nasceu no dia 18/03/54 em São Paulo. A história de Enéas Camargo no futebol brasileiro não passou despercebida. Segundo maior artilheiro da história da Portuguesa com 179 gols em 375 jogos e maior artilheiro da história da Lusa em Campeonatos Brasileiros (47 gols), o jogador deixou seu nome gravado na equipe do Canindé através de seus dribles, seu faro de gol e sua irreverência dentro e fora do campo. O torcedor luso certamente se recorda da equipe formada por Enéas, Badeco, Ivair, Zecão e Zé Maria.

 

Irrequieto, provocador e abusado, Enéas sempre foi alvo da imprensa, que o acusava de passar grande parte do jogo desatento, "dormindo" em campo. Porém, quando seu futebol aparecia, os torcedores tinham certeza de espetáculo e gols. Depois de obter relativo sucesso no Brasil, Enéas foi mostrar sua arte na Itália. Ficou pouco tempo, voltou para o Palmeiras, mas não rendeu o mesmo de antes devido a uma série de contusões. Após encerrar a carreira, o destino marcou o ex-jogador como nenhum zagueiro conseguiu. Enéas morreu num acidente automobilístico nas ruas de São Paulo em 1988.

 

A carreira de Enéas começou na quadras, em 1963, quando tinha apenas nove anos e jogava na categoria dente-de-leite da Portuguesa. Principal característica do futsal, o drible curto foi levado pelo jogador para o campo. Passou pela categoria juvenil em 1966 e profissionalizou-se na própria Lusa em 1972. No ano seguinte, conquistou os dois únicos títulos pela equipe do Canindé: campeão paulista, título dividido com o Santos no histórico erro do árbitro Armando Marques na contagem dos pênaltis, e campeão da Taça São Paulo. Ainda em 1972, quando mal tinha se profissionalizado na Portuguesa, formou o ataque da seleção brasileira ao lado de Zico, na conquista do Pré-olímpico da Argentina.

 

Era a primeira vez que o jogador vestia a camisa canarinho. No total, foram sete convocações e dois gols marcados. Convocado para a seleção principal pela primeira vez em 1973, foi chamado por Zagallo e cortado antes da Copa do Mundo. Em 1980, no auge da carreira, transferiu-se para a Itália, tornando-se um dos primeiros jogadores a atuar naquele país. Lá permaneceu por apenas pouco mais de um ano. Jogou primeiro no Bologna, onde se desentendeu com o técnico Radice, e depois na Udinese, retornando ao Brasil no ano seguinte.

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Quem então apostou no seu futebol foi o Palmeiras. Contratado como uma das esperanças da equipe alviverde para colocar um ponto final na escassez de títulos que duraria 16 anos, Enéas não conseguiu mostrar a mesma arte de antes. Vitimado por uma série de contusões que o obrigaram a operar o joelho direito, o jogador começou a entrar em decadência. Em dois anos, Enéas jogou menos de 20 partidas pela equipe de Parque Antarctica. Em 1984, após desentendimento com o técnico Carlos Alberto Silva, o ciclo do jogador no Palmeiras estava encerrado.

 

O incidente com o treinador palmeirense resultou no início da decadência de Enéas. Sem ambiente no clube, o jogador foi emprestado ao XV de Piracicaba, a primeira equipe do interior do estado pela qual jogou. Mas não a última. Após partida do XV de Piracicaba contra o Marília pelo Campeonato Paulista de 1984, Enéas foi sorteado para o antidoping, mas arranjou confusão. O jogador recusou-se a fazer o exame e ainda quebrou os vidros disponíveis para a coleta da urina. Como conseqüência, foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por 90 dias.

 

Enéas comemorando um gol pela Portuguesa / Foto: Divulgação

 

De volta ao futebol no ano seguinte, jogou pelo Juventude (RS), depois Desportiva (ES) e Central Brasileira de Cotia, equipe da terceira divisão paulista, na qual ele dividia as funções de atleta e dirigente. Era o fim da carreira.

 

Na noite de 22 de agosto de 1988, Enéas passava pela avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, ao volante de um Monza, quando perdeu o controle do carro e bateu violentamente na traseira de um caminhão. O veículo ficou totalmente destruído e Enéas foi conduzido para o hospital, onde ficou em estado de coma por mais de quatro meses. Em 27 de dezembro do mesmo ano, então com apenas 34 anos, Enéas faleceu, deixando esposa e dois filhos. Foi enterrado com o rosto desfigurado devido ao acidente. De acordo com o atestado de óbito do jogador, a causa da morte foi broncopneumonia e luxação na coluna cervical.

 

Fonte texto: Divulgação

Crédito de Imagens: Livro Enéas um Gênio Esquecido

 

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