» Antonio Quintal - Comentário sobre a Portuguesa

Desta feita foi a torcida do Bahia que fez a festa no Canindé.

 

Como se fosse uma reprise do que aconteceu no jogo contra a Ponte Preta, a Portuguesa, ontem à tarde no Canindé, sucumbiu diante do Bahia e perdeu mais um jogo em casa por 4 a 2.
O jogo foi válido pela décima sétima rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, e os baianos fizeram festa dentro da casa portuguesa.

 

Mais uma vez a Portuguesa se apequenou e permitiu que o Bahia saísse com a vitória e os três pontos do reduto rubro-verde.

 

Sem poder contar com Preto Costa, Ademir Sopa, Athirson, Dodô e Glauber, o técnico Vadão optou por colocar seu time no 3 x 5 x 2 com Luís Ricardo ao lado de Zé Carlos no ataque.

 

1º tempo.

 

Portuguesa começou melhor, procurando o ataque, tendo em Fabrício sua principal opção ofensiva pela esquerda.

 

O Bahia só tinha Jael como atacante, congestionava o meio setor intermediário e procurava marcar os meias Héverton e Marco Antonio.

 

A Portuguesa mantinha a superioridade e aos 21’, Zé Carlos fez 1 a 0, depois de boa arrancada de Luís Ricardo pela direita, onde o atacante luso rolou para Paulo Sérgio que cruzou para a cabeçada certeira de Zé Carlos no canto direito do goleiro Renê.

 

A vantagem lusa durou pouco tempo. Aos 23’, depois de falta cobrada do lado esquerdo, Morais cabeceou, Weverton defendeu parcialmente e Alisson aproveitou para empatar.

 

A Portuguesa sentiu o gol e se desorganizou, o Bahia cresceu no jogo. Paulo Sérgio tinha problemas para marcar Ávine e recebeu cartão amarelo. Acleisson também foi amarelado depois de falta violenta em Rogerinho. O Bahia envolvia a Portuguesa e forçava a defesa lusa a cometer faltas seguidas. Domingos também recebeu cartão amarelo depois de falta em Morais.

 

Aos 25’, Vander atirou de fora da área e carimbou o poste direito luso.

 

O primeiro tempo terminou com a justa igualdade no placar.

 

2º tempo.

 

A Portuguesa voltou com a mesma formação para a segunda fase, o Bahia voltou com o rápido Adriano no lugar de Vander.

 

Mal começou o segundo tempo e o Bahia marcou o segundo gol. Adriano desceu pela esquerda passou por Domingos que o derrubou dentro da área. Pênalti que Jael cobrou no canto esquerdo. Para piorar a situação lusa, Domingos foi expulso. Tudo isso com apenas dois minutos de jogo.

 

A Portuguesa não conseguia se articular e oferecia muitos espaços na defesa para o Bahia contra-atacar.

 

Aos 12’, Paulo Sérgio cobrou escanteio da direita, a zaga ofereceu rebote que Fabrício desperdiçou ao chutar longe da meta baiana.

 

No minuto seguinte o Bahia chegou ao terceiro gol. Àvine levantou da esquerda, o zagueiro Maurício cochilou no lance e Jael subiu para testar no canto direito de Weverton. Estava desenhado o desastre rubro-verde.

 

Depois disso, o Bahia teve inúmeras chances de marcar. Na base do contra golpe a equipe tricolor criava as oportunidades.

 

Aos 20’, Marco Antonio tentou um chute de fora da área que raspou o travessão de René.

 

Aos 22’, depois de boa troca de passes, Paulo Sérgio serviu Luís Ricardo que bateu cruzado e marcou o segundo gol luso. A torcida lusa voltou a ter esperança de ver o time buscando um resultado melhor.

 

Não fosse a boa partida do goleiro Weverton, os gols perdidos pelos atacantes baianos, o Bahia poderia ter feito o quarto gol.

 

Com dez jogadores a Portuguesa corria atrás do empate e o Bahia explorava as jogadas rápidas com Adriano.

 

Aos 30’, Adriano chutou para grande defesa de Weverton. No minuto seguinte, Morais fuzilou, a bola chocou-se contra o travessão luso.

 

A Portuguesa poderia ter igualado aos 39’, quando Malaquias fez boa jogada pela direita e cruzou para Fabrício que chutou torto e perdeu o gol.

 

Aos 41, novo contra-ataque do Bahia e Jael marcou o terceiro gol dele no jogo e o quarto do seu time.

 

Estava decretada a segunda derrota consecutiva da Portuguesa dentro de casa.

 

Na Lusa:

 

Weverton: boa atuação. Honrou a camisa. Não fosse ele a Portuguesa teria perdido por um placar extravagante. Nota: 7,5

 

Paulo Sérgio: Fez duas boas assistências que resultaram nos gols da Portuguesa. Marcando foi mal. Sofreu para marcar Ávine. Nota 6,5

 

Domingos: Voltou a ser o zagueiro que defendeu o Santos. Lento, pesado e violento. Cometeu mais um pênalti no campeonato e mereceu ser expulso. Pelo que vem fazendo, não merece ser titular. Nota: 3,0

 

Thiago Gomes: Mesmo sendo lento foi o melhor zagueiro luso. Nota 6.5

 

Maurício: Fraco. Perdido, sem recuperação e sem saber o que fazer. Falhou feio no
Segundo gol do Bahia. Nota 3,0

 

Fabrício : Começou bem o jogo quando fez várias jogadas pelo lado esquerdo ofensivo. Depois andou se atrapalhando. Armou o contra golpe do quarto gol do Bahia. Precisa ser mais rápido e decisivo. 5,0

 

Acleisson – Horrível. Errando passe, marcando mal, cometendo faltas e finalizando errado. Aliás, até quando vai insistir nos arremates. Não te, bola para isso. Nota 2,0

 

Marco Antonio : Fraca atuação. Lento, futebol previsível e marcando mal. Tentou alguns chutes sem sucesso. Nota 4,0

 

Héverton : Não jogou nada e mereceu ser substituído. Não criou, não marcou, não chutou, errou passes e ainda foi figura apática. Teve momentos que “ trotou” ao invés de voltar rápido para ajudar na marcação. Aliás, faz tempo que não joga nada. Nota 2,0

 

Luís Ricardo: Foi bem no primeiro tempo depois só fez o gol. Longe de ser o jogador que a Portuguesa precisa. Nota 4,0

 

Zé Carlos: Dentro do que pode fazer foi razoável. Fez um gol e foi regular. Nota 5,0

 

Malaquias : Se todos os jogadores tivessem a vontade de vencer que tem o Malaquias, com certeza as coisas seriam bem diferentes. Mais uma vez, depois que ele entrou o time lutou mais e melhorou. Nota 5,0

 

Ronaldo : Entrou e ninguém percebeu. Sem nota.

 

Henrique: Jogou pouco tempo e tentou ajudar a equipe. Pelo menos nos passe a Portuguesa melhorou. Nota 5,0

 

Vadão: Nota 4,0

 

Ontem o técnico luso bobeou. No primeiro tempo, o Bahia jogou com apenas um atacante e a Portuguesa ficou com três zagueiros marcando Jael.

 

Com três jogadores amarelados ( Paulo Sérgio, Domingos e Acleisson ), poderia ter tirado Domingos, ficar com dois zagueiros e colocar mais um homem de meio campo, o Bahia jogava com cinco jogadores no setor e a Portuguesa com quatro.

 

Demorou ao substituir Hèverton que não estava bem e deveria ter saído antes.

 

Precisa puxar as orelhas dos seus jogadores. Time que quer subir, se é que quer mesmo, não pode ficar perdendo pontos dentro de casa como perde a Portuguesa.

 

Os jogadores do Bahia mostraram mais garra, mais determinação e mais vontade de vencer. Alguns jogadores da Portuguesa pensaram que ganhariam sem correr e sem lutar, futebol não é assim.

 

Se o elenco luso não encarar a Série B da forma que exige a competição, dificilmente a Portuguesa conseguirá o acesso. Já foi o tempo, que o futebol era ganho pelo nome do clube e dos jogadores. Sem lutar, ninguém ganha mais nada. Ou os jogadores da Portuguesa encaram a Série B como ela pede para ser encarada, ou a Portuguesa continuará nela em 2011.

 

Ficha Técnica

 

Portuguesa 2 x 4 Bahia

 

Local: Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte
Renda: R$ 70.470,00
Público: 4.417 pagantes
Árbitro: Marcos André Gomes da Penha-ES
Assistentes: Fabiano da Silva Ramires-ES e Gelson Pimentel Rodrigues-ES
Cartões amarelos: Paulo Sérgio, Domingos, Acleisson, Thiago Gomes, Zé Carlos (Portuguesa); Jancarlos, Renê, Adriano, Alison e Nen (Bahia)
Cartões vermelhos: Domingos (Portuguesa); Alison (Bahia)
Gols: Zé Carlos aos 21’/1T e Luís Ricardo aos 23’/2T (Portuguesa); Alison aos 23’/1T e Jael aos 3’/2T, 13’/2T e 40’/2T (Bahia)

 

Portuguesa
Weverton; Domingos, Mauricio e Thiago Gomes; Paulo Sérgio, Acleisson (Henrique), Heverton (Malaquias), Marco Antonio e Fabrício; Luís Ricardo (Ronaldo) e Zé Carlos.
Técnico: Oswaldo Alvarez.

 

Bahia
Renê; Jancarlos, Nen (Vagner), Alison e Ávine; Fábio Bahia, Bruno Octávio, Morais, Vander (Adriano) e Rogerinho (Leandro); Jael.
Técnico: Márcio Araújo

 

Depois de perder três jogos em quatro disputados, a Portuguesa parte para Ipatinga onde enfrentará o Ipatinga, um dos times mais fracos do campeonato, que costuma complicar a vida rubro-verde.

 

A sofrida e angustiada torcida lusa torce para que a equipe reaja e volte para São Paulo com a vitória e os três pontos, caso contrário a Série A em 2010 ficará cada vez mais longe.

 

Quanto ao momento político que vive a Portuguesa, é hora de todos olharem para a Portuguesa e tentarem ajudá-la ao invés de canalizar suas forças para diferenças pessoais.

 

Há de lamentar os gestos infelizes protagonizados pelo goleiro René quando correu em direção à torcida do Bahia para comemorar a vitória sobre a Portuguesa.

 

Jogador profissional precisa ter mais equilíbrio e respeitar o público presente nos estádios. Comemorar sim, mas não forma grotesca e ofensiva.

 

Você lembra desse jogo?

 

Em 1997 a Portuguesa disputou a Copa Conmenbol, hoje Copa Sul Americana. No mês de Setembro daquele ano a Portuguesa enfrentou o Atlético MG no Mineirão e empatou por 0 a 0. A Lusa era treinada por Edinho que mandou a campo: Sérgio, Walmir, Emerson, César e Augusto, Capitão (Curê), Moacir, Tininho e Ricardo Miranda, Leandro Amaral, Tuta (Tico).

 

Um abraço e até a próxima,

 

Antonio Quintal

 

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